sábado, 31 de maio de 2008

"Esta crise traz grandes oportunidades"

Foi este o título que mais me chamou a atenção no Expresso de hoje.
É retirado de uma entrevista a Simon Dolan, director na ESADE Business School.

"A nossa cultura está à beira do colapso. Enfrentamos a maior crise desde que a humanidade progrediu para além da simples sobrevivência. E esta crise fomos nós que a criámos."
" Temos de deixar de negar que a crise existe; sair da área de segurança; descartar a ideia que nada podemos fazer para a evitar; compreender que não é suficiente tratarmos do nosso jardim enqto lá fora a inundação aumenta."
"Precisamos de uma massa crítica de pessoas capazes de desencadearem um ponto de viragem na opinião mundial. A motivação dos nossos dirigentes deve-se canalizar para a responsabilidade e o sucesso em vez do poder e do estatuto. Isso significa que precisamos de mais dirigentes com as caracteristicas femininas da dedicação e compaixão. Precisamos de encontrar um equilíbrio entre elementos femininos e masculinos."

....

"É importante realçar que temos grandes oportunidades. Produzir energia renovável, permitir meios de transportes limpos, distribuir água pura, garantir alimentos para o mundo, etc.
Os maiores desafios do sec 21 criam também as maiores oportunidades_ e são possibilitadas por tecnologias emergentes em materiais avançados, biologia sintetica e nanotecnologia."
...
" Se abordássemos seriamente os nossos problemas fundamentais, isso desencadearia mtos projectos novos e importantes. Alguns exemplos: a criação de um Sara verde, a criação de um novo celeiro na cintura que parte da Ucrânia através da Ásia, o desenvolvimento de uma nova fonte de energia para substituir o petróleo, a garantia de água para todas as pessoas, a garantia de um sistema educativo de alta qualidade e de formação profissional..."



sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança... :)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é único!
Para mim, existe Fernado Pessoa e existem os outros poetas ( alguns óptimos, claro que sim...) mas com nenhum senti, com tanta intensidade e tanta simplicidade, um eco dento de mim!

De todas as personalidades que nos revelou, a que mais me toca é a de Álvaro de Campos, e o meu poema preferido ( desde a minha adolescência até hoje...) é a Tabacaria.
Não vou transcrevê-lo todo...mas vou seleccionar algumas estrofes que nunca deixam ninguém indiferente...

Tabacaria

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

........

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

.......

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu..

......

Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.

........



O homem saiu da tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?)
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O dono da tabacaria chegou à porta.)
Como por instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus, ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal ne esperança, e o
Dono da Tabacaria sorriu.
(1928)


........................................

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Surdos e "surdos"

Há tempos, coloquei um post sobre comunicação verbal e suas competências: falar/ ouvir; ler/ escrever.
Parece-me que a maioria das pesssoas é mais competente enqto emissor do que enqto receptor.
Ouvir e ler com atenção é muito difícil!

Em muitos debates ( sejam orais ou escritos) repara-se que, lançado um tema, alguns têm grande necessidade de fazer um discurso sobre ele, e, quando confrontados com argumentos de outros, não ouvem ( não lêem as suas palavras), seguem o que tinham dito antes, sempre no mesmo registo.
Isto acontece muito na oralidade, mas tb na escrita. Basta dar uma vista de olhos pelos blogs de debates, para verificar que são raras as pessoas que "pegam" nas palavras do seu interlocutor. O que transparece é um "diálogo de surdos" em que uns falam de alhos e outros de bugalhos...

Parece-me que os verdadeiros surdos ( pessoas com deficiência auditiva) devem ser mto melhores ouvintes do que os não-surdos. Basta a concentração que precisam de ter para assimilar o que é dito pelo parceiro!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pão e rosas :)

Vinha escrever sobre a crise do petróleo e as consequências tão inquietantes para todos, e muito particularmente para os portugueses. Vinha escrever sobre as anunciadas convulsões sociais que já começaram por essa europa e a que os pescadores portugueses tb aderiram. Vinha escrever sobre o "aviso à navegação" feito pelo Mário Soares ao P.S. e sobre as palavras do Manuel Alegre...

Pelo caminho, lembrei-me da frase "Nem só de pão vive o homem" ( embora sem pão não viva...)
Ocorreu-me, então, aquela expressão "pão e rosas".....e fico-me pelas rosas :)


Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:



Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nehum deus queime o teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Poesia 2

De José Gomes Ferreira:


Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão prolongue mais a tua
_ para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.

Poesia 2

Poesia 1

De Eugénio de Andrade:


Sobre a terra

Sei que estou vivo e cresço sobre a terra
Não porque tenha mais poder,
nem mais saber, nem mais haver.
Como lábio que suplica outro lábio,
como pequena e branca chama
de silêncio,
como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,
sei que estou vivo, vivo
sobre o teu peito, sobre os teus flancos
e cresço para ti.

domingo, 25 de maio de 2008

A evolução das brincadeiras infantis

Howard Chudacoff, professor na Universidade de Brown, investigou sobre a evolução das brincadeiras ao longo dos tempos e escreveu o livro "Children at play: an American History".

O excerto que se segue é retirado de uma entrevista publicada na revista Sábado:

"As crianças não brincam o suficiente. As actividades que hoje os adultos lhes impõem parecem-se cada vez mais com um emprego, pela sua rigidez e obrigatoriedade. Tem havido esforços para mudar esta tendência. Organizações, sítios da internet, grupos de profissionais e pais estão a tentar recuperar os recreios, as actividades menos controladas pelos adultos e mesmo as brincadeiras de antigamente."
"A partir do fim do sec 19, instituiu-se que a brincadeira ficava reservada para depois das aulas. Mas os adultos começaram a intervir mais e a estruturar o periodo de brincadeira das crianças."
"A brincadeira é hoje mais associada a brinquedos, há 200 ou 300 anos era apenas uma actividade. O ambiente em que as crianças brincam alterou-se: antes, os jogos faziam-se ao ar livre, agora é em lugares fechados. Os parceiros de brincadeiras deixaram de ser irmãos e primos, passando a ser amigos da escola pq é lá que passam mais tempo. E há cada vez mais crianças que brincam sozinhas."
"Recentemente, os perigos parecem mais ameaçadores e há mais necessidade de educar, fomentar a auto-estima e proporcionar muita qualidade de vida às crianças. As brincadeiras são cada vez mais espartilhadas e organizadas à medida dos adultos. Isso tira-lhes a possibilidade de correrem riscos, experimentarem, aprenderem por si prórpias."
"Os adultos querem proteger as crianças tanto qto possivel, sem perceberem que assim não lhes criam resistências para as dificuldades da vida!"

Sobre brincadeiras electrónicas:

"O perigo da internet é o seu lado viciante, e o facto de os mais pequenos não estarem fisicamente activos qdo se sentam em frente ao computador. Mas as brincadeiras pela Internet permitem-lhes estabelecer contactos e fazer amigos à distância, uma oportunidade única do nosso tempo. A internet não tem só aspectos negativos. Alguns jogos online incentivam as crianças a desenvolver a sua capacidade estratégica, de planeamento e de cálculo."

Conclui:

"As crianças com infâncias saudáveis são mais criativas e menos dependentes dos outros qdo atingem a idade adulta, além de conhecerem melhor o conceito de trabalho de equipa e camaradagem"

sábado, 24 de maio de 2008

A relação entre Razão e Afectos--- M. Damásio

De uma entrevista a Damásio, que esteve recentemente em Portugal, publicada no EXPRESSO:

"A mesma natureza humana que leva ao sublime, na construção social, científica ou artística, é a que usa o mundo em benefício próprio, com completo alheamento do que se passa à volta.
Tudo depende da forma como a razão consegue funcionar em relação aos afectos. A imaginação e os produtos que têm vindo, através do tempo, da imaginação, têm criado estruturas que permitem, de certo modo, a regulação das emoções. Voltando a Espinosa, ele tem a ideia muito curiosa e distinta de outros filósofos, de opor a razão à emoção, não sendo um modo eficaz de regular as emoções. A tradição kantiana de que devemos opor a vontade à paixão, dominá-la, para o Espinosa não é suficiente. Uma emoção que não está controlada, que é nefasta, deve ser dominada por uma emoção mais forte do que a primeira, embora essa emoção seja aplicada através da RAZÃO. "

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Romantismo...

Talvez por deformação profissional, tenho, sobre o mundo dos homens, o ponto de vista das crianças :)
A mãe e o pai são insubstituíveis. Um padrasto ou uma madrasta, por muito bons que sejam, são apenas isso...
Acredito no amor para a vida!
Quando um casamento falha, foi pq ambos se desleixaram ....como um jardineiro que se esquece de regar as suas flores...
Acredito que seja necessária uma grande dose de inocência e sabedoria ao mesmo tempo. Inocência para continuar a acreditar no amor, sabedoria para saber detectar os sinais de desgaste e investir na relação...
Penso que a nova geração anseia conseguir um amor parecido com o dos avós ( que, em muitos casos, é a única referência de "amor eterno" que têm).

Alternativas há muitas, sendo ( para mim) a mais aliciante, nesta fase da vida, a conquistada liberdade. Mas não há dúvida que as pessoas que constroem laços fortes com um amante são mais felizes e optimistas!

Um dia, quem sabe, alguns dos "sós" deste mundo consigam saborear um recomeço tão intenso como o 1º amor :)...e voltar a ver o mundo cor-de-rosa :)

Os mais velhos...

Vivemos numa sociedade que valoriza mais o "fazer" do que o "ser", o futuro do que o passado, a acção do que a reflexão. Os mais velhos são, injustamente, pouco apreciados, porque já não são "produtivos". Neste ritmo em que vivemos, só há disponibilidade para as crianças, essas sim representando o futuro. É verdade, mas será que os mais velhos, os que já não andam nesta roda-viva, os reformados, não têm um capital de experiência, uma "distância", uma serenidade que a todos faz falta?
Nem sempre foi assim. Ainda hoje, em sociedades diferentes da nossa, ser velho é ter um estatuto. Os mais velhos ouvem e aconselham. Os mais velhos são mais sábios!

Há um provérbio chinês que diz: "a felicidade só está completa quando há 3 gerações a viver sob o mesmo tecto!"
As crianças gostam do convívio com os avós. Gostam do tempo que estes têm, das histórias que contam, das memórias :"no meu tempo era assim...".
Os mais velhos representam para eles as raízes, e isso é muito entriquecedor: qualquer criança gosta de se sentir pertença de uma "linhagem", essas referências são estruturantes ...
Um dia seremos nós a "última" geração. Iremos gostar de contar histórias do nosso tempo :)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O mundo sem som...

Lembram-se do filme "Filhos de um Deus menor"?
Havia uma personagem surda desempenhada por uma actriz lindíssima, surda tb.
O que mais me fascinou foi a forma como ela contava ao seu namorado ( ouvinte) como era o seu "mundo sem som". A forma como falava de música, por exemplo. Há uma cena em que estão na discoteca, e ela começa a dançar, sentindo as vibrações . Está na pista, de olhos fechados, e ele encosta-se a uma coluna a observá-la. Quando a música acaba ela abre os olhos de repente...

Já viram grupos de surdos a comunicarem? Em algumas escolas, há núcleos de deficientes auditivos. Quando vou a alguma dessas escolas, fico deliciada a ver e ouvir aqueles movimentos de mãos, aquele bailado, as risadas pelo meio. Sinto-me analfabeta por não os compreender. A linguagem gestual deveria ser ensinada a todos nas escolas.

Li, num dos textos do blog da Margarida, relatos de pessoas que fizeram, já adultas, implantes cocleares. Havia um senhor que dizia que lhe custou muito a adaptar-se a um mundo de ruídos que ele não conseguia discriminar. Acabou por se adaptar, mas, de vez em quando, isola-se, vai ver o mar, e desliga a maquineta, para poder estar em paz com o seu querido silêncio.
O silêncio é de oiro!...

domingo, 18 de maio de 2008

Os computadores não substituem as pessoas...

Todos os domingos leio as crónicas do Octávio Cunha ( pediatra do Porto). Gosto da sua simplicidade, da sua humanidade...

Aqui vai:

"Mas afinal o que é ser médico? Hoje os computadores fazem diagnósticos diferenciais e deles partem para o diagnóstico definitivo. Máquinas sofisticadas praticam com precisão inimaginável o que os homens médicos não conseguem. Ser médico é, ontem como hoje, ser ao mesmo tempo, um bom técnico e um ser humano, no meio da desumanidade que nos cerca. Coisa que máquinas e computadores nunca vão conseguir. Ser médico é saber ler nos olhos de uma criança que ela está mal. Saber ler na expressão de um idoso que está com medo de morrer. É saber ouvir e saber decidir o que é melhor para o outro."
"Em medicina é cada vez mais fácil tratar a doença. Cada vez mais difícil é cuidar do ser humano, do seu bem-estar global e da sua dignidade. É bom ser médico. O orgulho de o ser não deve ofuscar. Deve libertar. Dar a lucidez suficiente para pensar que saber o que se sabe é sempre insuficiente. O que hoje é dado como adquirido pode não o ser amanhã."
"Abel Salazar, patrono da escola onde há mtos anos ensino, pelo entendimento que tinha da vida, da cultura e da sua profissão, escreveu esta frase profunda e cheia de significado: "Quem só sabe medicina, nem medicina sabe."
"Ser médico é ser humano. Ter curiosidade pelas outras áreas da vida. Se um médico pensa, nem que seja por um instante, que é Deus, o melhor é mudar de profissão."


Acrescento que estas sábias palavras se aplicam a todas as profissões humanas. Um professor que pensa que é bom professor só pq tem bons conhecimentos científicos sobre as matérias que lecciona, está profundamente equivocado...

Ciência(s) em movimento

O artigo que acabei de ler vem ao encontro do que temos vinda a debater no nosso blog.
Ora leiam:

"Tendo sido, durante décadas, uma condição para o progresso cinetífico, a especialização acabaria por contribuir tb para um certo desconhecimento do mundo como um todo. Dividiu a realidade em partes, mergulhou fundo na pesquisa de cada uma delas, esperando que a sua reunião reconstituisse o mundo enfim esclarecido.Verificou-se, contudo, não ser bem assim. O todo não se explica pela soma das partes, pois cada uma delas, em lugar de revelar a simplicidade das coisas, evidencia, isso sim, a sua complexidade, constituindo-se num novo campo de inesgotavel conhecimento. Veja-se o átomo, por exemplo.
Qdo se julgava ter alcançado a menor porção de matéria( daí o nome "sem partes") a física descobriu, no final do sec 19, que ele mesmo é composto por partículas menores (protôes, electrões, neutrões, etc).
Mergulhados nas especificidades, os cientistas foram designados em 1929, por Otega y gasset de "sábios-ignorantes": homens de ciência conhecedores de uma pequeníssima parcela do universo..


Começa, entretanto, um movimento paralelo de cruzamento de disciplinas que, de tão focadas nas suas especificidades, começaram a precisar de outros olhares que as completassem. A interdisicplinariedade é hoje uma realidade nos grandes centros de investigação.

Em Portugal, este movimento de retorno ao saber abrangente, iniciado na década de setenta, tem sido alvo de estudo de uma vasta equipa de investigadores, coordenada por OLGA POMBO, docente e investigadora em Filosofia na FCUL (faculdade de ciências da universidade de lisboa).
Os saberes de filósofos, sociólogos, psicólogos, antropólogos, físicos, químicos e biólogos cruzam-se sistemticamente na reflexão sobre os efeitos do conhecimento nos novos modos de fazer ciência.
Foi criado o Centro de Filosofia das Ciências ( www.cfcul.fc.ul.pt).
Um dos investigadores, o físico José Croca, recebeu, este ano, um prémio internacional pelo seu trabalho na promoção da Razão.
As suas palavras, na cerimónia de entrega do prémio ,foram as seguintes:
"Não existem limites, pelo menos do ponto de vista conceptual, para a capacidade de o homem conhecer a natureza. No fundo, trata-se de um retorno ao ideal grego. Acreditar que pelo uso da Razão o ser humano pode ir sempre mais longe, um pouco de cada vez, na senda dessa fascinante e maravilhosa aventura que é a procura do Conhecimento".

in: Notícias Magazine ( D.N. de domingo)
"Cultura científica. Migrações conceptuais e contaminações sociais"

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A criança que em em ti existe...

Ler João dos Santos apazigua-me com a humanidade :)
Viveu entre 1913 e 1978. Dedicou a vida a tratar bem as crianças portuguesas...

Transcrevo aqui um texto, em forma de poema, dedicado a adultos que lidam com crianças:


"A criança modela-se.
Ajuda-a a modelar-se oferecendo-lhe tudo quanto tenhas de mais autêntico dentro de ti.
Oferece-te a ti próprio como modelo.
Faz de modelo, não só com o teu corpo de Homem, mas também com o que resta da tua espontaneidade infantil para o Amor.
Homens capazes de Amor são aqueles que foram crianças ou que se reconciliaram com a criança que foram.
Se amas a criança que em ti existe, então podes amar as crianças.

(...)

Educar é oferecer-se como modelo.
Educar é respeitar o seu próprio modelo.
Educar é respeitar a criação do Homem
e do seu Universo.
Educar é respeitar a criança e a criatividade infantil.
Se podes ser infantil, podes ser Homem, podes ser Mestre."

Autismo "savant"

De um artigo da VISÃO:

"Aos 8 anos, Stephen Wiltshire vendeu o 1º desenho ao antigo 1º ministro britânico, Edward Heath. Só começou a falar aos 5 anos e as únicas palavras que disse até aos 9 anos foram "lápis" e "papel". Hoje, com 33 anos, tem ainda grandes dificuldades em exprimir-se verbalmente, mas traça de memória e com todos os pormenores, vistas aéreas de cidades tão complexas como Londres, Roma, Jerusalém, Tóquio, Hong-Kong, Los Angeles ou Nova Iorque."
"O psicólogo Baron Cohen, da Universidade de Cambridge, em Inglaterra, diz que Stephen é um dos 100 autistas "savant" do mundo. O termo define uma desordem neurológica que o impede de manter relações sociais, mas que lhe dá um talento excepcional para outras coisas, neste caso para desenhar. A rapidez com que o faz deve-se a uma rara mistura dos sentidos, conhecida como sinestesia, que tornam extrememente rápidos o raciocínio e a capacidade de memorização. O filme "Encontro entre irmãos (Rain man) protagonizado por Dustin Hoffman em 1988, conta a história de um autista savant que era um génio da matemática"

O artigo traz desenhos deste homem. São autênticas fotos de grandes cidades. Para desenhar Londres, bastou-lhe um passeio de 5 minutos!

Por falar em "mão esquerda", aqui está um exemplo (patológico) de alguém que tem uma mão direita excepcional, contrastando com uma esquerda inoperante ( a comunicação) ... :)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Matemática

Desde que me conheço que gosto de ler e escrever. Desde que me conheço que não gosto de matemática.
Os livros sempre me seduziram, falavam comigo, faziam-me compreender melhor o mundo, faziam-me tb sonhar. Os nºs não eram empáticos, eram frios... e eu ia-me afastando deles.
Segui "letras". Na universidade, líamos obras literárias e estudavamos métodos para as analisar.
Pela vida fora, nas aulas de Português,vou analisando, com os meus alunos, textos narrativos, poemas, obras completas. O treino faz com que me seja fácil entender essa linguagem. Ao ler um poema, as palavras e os seus silêncios comunicam comigo...
O contrário acontecia qdo lia o enunciado de um problema de matemática. Aquela linguagem parecia-me opaca, sem voz...
É como se a literatura fosse a minha mão direita e a matemática a esquerda. Já repararam como nós, os dextros, somos inábeis com a outra mão? ( o mesmo para os esquerdinos)
É tudo uma questão de aprendizagem e treino. Se me pedissem para desenhar uma figura humana, faria um desenho infantil, pq foi aí que parou a minha aprendizagem dessa "arte"...

O ano passado, na minha escola, para tentar minimizar as grandes dificuldades dos alunos em matemática, criámos um grupo de trabalho entre prof de português e de matemática. O objectivo era: aplicar algumas das técnicas usadas na interpretação de texto narrativo à descodificação de enunciados de problemas. Tem sido muito giro e todos temos aprendido ( professores e alunos).
Compreendi que o raciocínio exigido para a resolução de problemas é muito específico e implica o reconhecimento dos dados necessários à aplicação de operações e técnicas matemáticas. O resto, é palha...

Comecei a gostar do desafio. Hoje pego em todas as fichas das minhas colegas e tento decifrá-las :)

Afinal, pq não hei-de treinar um pouco a minha "mão esquerda"? :)
Sei bem que nunca a irei desenvolver tanto como a outra, mas pelo menos será menos inútil :)

Este post serve para dizerem o que quiserem sobre este assunto e tb para colocarem problemas ou charadas que tentaremos resolver....se isso nos der prazer :)

terça-feira, 13 de maio de 2008

"Pertenço a uma geração que ainda está por vir..."--- Fernando Pessoa

De um texto de 1914:

"Pertenço a uma geração que ainda está por vir, cuja alma não conhece já, realmente, a sinceridade e os sentimentos sociais. Por isso não compreendo como é que uma criatura fica desqualificada, em como é que ela o sente. É oca de sentido, para mim, toda essa (...) das conveniências sociais. Não sinto o que é honra, vergonha, dignidade. São para mim, como para os do meu alto nível nervoso, palavras de uma língua estrangeira, como um som anónimo apenas.
Ao dizerem que me desqualificaram, eu não percebo senão que se fala de mim, mas o sentido da frase escapa-me. Assisto ao que me acontece, de longe, desprendidamente, sorrindo ligeiramente das cousas que acontecem na vida. Hoje, ainda ninguém sente isso; mas um dia virá quem o possa perceber."
"Eu não tenho rancores nem ódios. Esses sentimentos pertencem àqueles que têm uma opinião, ou uma profissão ou um objectivo na vida. Eu não tenho nada dessas cousas. Tenho na vida o interesse de um decifrador de charadas". Fernando Pessoa


2008
Sem me identificar com tudo o que ele aqui diz, sinto que o compreendo. E vocês?

domingo, 11 de maio de 2008

Selecção natural versus selecção artificial

Aqui vai um excerto de um artigo do biólogo Tomás de Montemor:


"A grande vantagem da diversificação é a capacidade que confere à natureza de explorar todas as oportunidades e de se defender de todas as mudanças. Há sempre uma solução alternativa, um substituto ou uma aplicação diferente para os genes que deixam de ser úteis,..."

" A diversificação garante vantagem biológica. Quem a desperdiçar pode ser apelidado de tolo"

"O que a selecção artificial, por exemplo, tem feito ao longo dos últimos anos, é apurar certas características dos animais domésticos, de forma a criar "super-raças". O mesmo acontece com os vegetais"
" No caso dos bovinos, a história é paradigmática. Há 50 anos considerávamos uma campeã a vaca que produzia 30 litros de leite por dia. Hoje há muitas que conseguem produções acima dos 60 litros/ dia. São seleccionados os melhores animais e são usados para progenitores das novas gerações. Com a inseminação artificial, poucos touros de elevado mérito espalharam os seus genes, através do semen congelado, pelo mundo inteiro; a seguir chegou a transferência de embriões e, finalmente, a clonagem."
"É a diversidade genética que se vai perdendo com esses passos tecnológicos. Ao usar, repetir ou copiar sempre as mesmas combinações genéticas, estamos a purificar as características, mas tb apuramos os defeitos. Criamos máquinas de fazer leite, mas tb teremos vacas mais susceptíveis a doenças, mais inferteis, com menor longevidade, mais predispostas a lesões, etc."
" E o que fazemos se a certa altura um nova e fulminante doença atingir os animais portadores de uma determinada combinação genética...o "arranjo genético" escolhido por nós?"

IP, esta é para ti :)

Invasão chinesa!

Todos sabemos que muitos dos produtos que compramos são "made in china", se não na totalidade, pelo menos em algumas peças, fruto da mão-de-obra barata daquelas bandas..

Acabei de ler que uma finalista do curso de comunicação social decidiu, durante um mês, viver sem qualquer produto fabricado nesse país.
Teve que abdicar do telemóvel, do carregador, da máquina fotográfica e repectivo carregador, do ipod, de pilhas, de soutiens que tinha ( marca oysho), de jeans, da calculadora científica, de escovas para o cabelo,de roupa que tinha comprado na berschka e na pull&bear, de umas botas da zara, dos auscultadores, de almofadas de decoração da zara-home, de uma mala para portátil, do auricular da motorola, do gps, da touca para a natação....e, claro, dos restaurantes chineses e das lojas onde tudo se compra mais barato..
Concluiu:
"foi dificil sobreviver sem eles, por vezes impossível. A China está em todo o lado"
"para sobreviver sem produtos chineses, é preciso ter grandes doses de paciência e de imaginação"
"se não quisermos usar produtos chineses, é fundamental estarmos dispostos a gastar mais dinheiro do que seria normal"...

sábado, 10 de maio de 2008

"Paradoxos das probabilidades"---- Nuno Crato

Directamente do Expresso, esta "charada" do nosso Matemático Nuno Crato, que tive de ler 3 vezes para conseguir decifrar :)

"A Maria e o João têm 2 filhos. O mais velho é um rapaz chamado Joaquim. Qual a probabilidade de o casal ter 2 filhos de sexos diferentes? Se admitirmos que a hipótese de nascer um rapaz é tão viável como a de nascer uma rapariga, se admitirmos ainda que nada depende do sexo do bebé anteriormente nascido, então não há dúvida que a probabilidade de o 2º filho ser rapariga, portanto, de sexo diferente do 1º é 1/2. E é essa a resposta: 1/2 . Simples, não?
Mas consideremos agora outro casal, a Josefina e o José, que tb têm 2 e só 2 descendentes. Sabemos que um dos filhos é rapaz e pergunta-se: qual é a probabilidade de este casal ter 2 filhos de sexos diferentes?
Embalados pelo sucesso anterior, diremos que a probabilidade é 1/2. E nada mais haveria a dizer. Só que, surpreendentemente, esta resposta está errada. O valor correcto é 2/3.
Na realidade, tendo 2 filhos, se designarmos por M um descendente do sexo masculino e por F um do sexo feminino, sabemos que a Josefina e o José podem ter tido como descendentes um par M, M, um par F,F, um rapaz e depois uma rapariga M,F, ou uma rapariga e depois um rapaz F,M.
A única coisa que sabemos é um dos dois descendentes é do sexo masculino, portanto que o caso F,F está fora de hipótese.
Dos 3 restantes, que são equiprováveis, há 2 _ M,F e F,M_ em que os sexos saõ diferentes.
Então a probabilidade é 2/3.
Custa a crer, não custa?
É por isso que o paradoxo é engraçado. Precisamos de pensar um bocadinho para o percebermos"


Lembram-se do "paradoxo" de que falava o Agostinho da Silva? :)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

"Into the wild"--- a vida de Chris McCandless

Há uns meses vi o filme realizado por Sean Penn. A história deste jovem que perde a vida no Alaska, aos 24 anos, tem-me acompanhado. Comprei o livro, escrito pelo jornalista Jon Krakauer, no qual o filme se baseou. Acabei de o ler e, tal como qdo saí do cinema, sinto-me "perto" deste rapaz e tenho vontade de o homenagear.
Chris tinha terminado a sua licenciatura, qdo em 1992, decide afastar-se da sociedade onde sempre vivera e empreender uma viagem solitária pelo oeste americano até ao Alaska. Era um jovem da clase média/alta, criado em Washington D.C., tinha sido um óptimo aluno e atleta.
As razões que o levam a partir são várias. O objectivo parece ser encontrar alguma Verdade no encontro com a natureza, ou, talvez, encontrar-se a si próprio.
Passados dois anos de viagem em que trabalhou para várias pessoas com um nome falso, entra no Alaska, munido de 5 kgs de arroz, uma espingarda para a caça, um livro sobre sementes e raízes comestíveis, uma máquina fotográfica, livros e diários. Sobreviveu 4 meses. A sua inexperiencia conduziu-o à morte. Não se suicidou, Chris planeava regressar depois desta "viagem interior".
Deixou livros sublinhados ( era um admirador de Tolstoi) com escritos à margem e muitas fotos sorridentes. Qdo se sentiu moribundo, escreveu um bilhete em que agradecia a Deus a sua feliz existência. Reconciliou-se com a vida antes de morrer. Encontrou forças para se pôr de pé e tirar uma última foto, em que aparece cadavérico, de grande barba, com um sorriso na cara...


Se puderem vejam o filme. É muito bonito, mesmo muito bonito!

"Revolutionary wealth"---Alvin Toffler

Novo excerto:

"Há, na História, vários exemplos de "revoluções" que substituiram antigas tecnologias e mesmo governos, sem alterarem significativamente a sociedade em geral e a vida das pessoas em particular. Mas, as revoluções reais transformam tanto as tecnologias como as instituições. E, ainda, destroem e reorganizam aquilo que os psicólogos-sociais chamam a "estrutura" da sociedade.
As revoluções também quebram fronteiras.
A sociedade industrial estabelecia uma clara fronteira entre a vida em casa e a vida no trabalho.
Hoje, para os milhões de pessoas que trabalham a partir de casa, essa linha desvaneceu-se.
Mesmo "quem trabalha para quem" tornou-se pouco claro. Uma parte significativa da força de trabalho consiste em contratantes independentes, "free agents" e outros que trabalham na empresa A mas, de facto, são empregados da empresa B.
As fronteiras académicas também estão a desaparecer. Apesar da grande resistência, cada vez mais o ensino se torna trans-disciplinar.
Na música pop, desapareceram as fronteiras entre rock, hip-hop, retro, disco e outros géneros, dando lugar à "fusão" e "hibridização" de géneros.
Mesmo as barreiras sexuais já não são fixas. Homossexuais e bissexuais saem da clandestinidade e crescem populações transsexuais.
Nem todos estes papeis e direitos sobreviverão, perante as novas mudanças económicas, tecnológicas e sociais.
Mas, quem subestimar o carácter revolucionário das mudanças actuais, está vivendo uma ilusão!"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Comunicação verbal

Nas disciplinas de Língua portuguesa e Línguas estrangeiras, é suposto levar os alunos a desenvolverem as suas capacidades de comunicção verbal, aperfeiçoando as suas competências comunicativas ( verbais).
Estas competências ,na oralidade, são falar e ouvir e, na escrita, são escrever e ler/compreender um texto escrito.
Na comunicação verbal oral, valoriza-se mais a capacidade de falar do que a de ouvir, ou seja, o peso dado à condição de emissor é superior ao dado à condição de receptor.

Na sociedade em geral, passa-se o mesmo. É frequente ouvirmos dizer que fulano de tal tem uma óptima capacidade de expressão oral: um discurso claro, bem elaborado, inteligente, interessante ( não se torna enfadonho para os seeus interlocutores). Raramente ouvimos dizer de alguém que é um "bom ouvinte", que se concentra no discurso de outrém, fazendo poucas interrupções, escolhendo as perguntas certas para manifestar o seu interesse e estimular o "falante" a explicar-se melhor.

O meu desafio é o seguinte: de todas as pessoas que fomos conhecendo, tentemos escolher uma que se caracterize por ser capaz de ouvir atentamente. Não é necessário identificarmos a pessoa em questão, mas tentar caracterizá-la nessa sua competência, tantas vezes menosprezada :)

A nossa Economia :)

Caros colaboradores, espero ter tempo, este fim de semana., para me dedicar ao Toffler ( depois de corrigir os testes :))
Entretanto, fiquei a pensar no que aqui foi escrito sobre uma possível "troca de serviços" , ou mesmo de bens, numa tentativa de "regressar" a uma economia sem dinheiro :)

Resolvi criar este espaço, para que, quem quiser, ofereça o que tem para "dar", em troca do que precisar :)

terça-feira, 6 de maio de 2008

"Uma imensa explosão de emoções"

É desta forma que Octávio Cunha, médico pediatra , que esteve em Paris no Maio de 68, caracteriza o que por lá se viveu...
Na altura era um estudante de medicina que tinha sido expluso da universidade por ter participado, activamente, no movimento estudantil. Tornou-se exilado e viajou por vários países.
O texto que se segue foi retirado da revista de domingo do D.N: o Notícias Magazine.

" Em Haia estive na 1ª grande manifestação dos "provos" ( provocadores) contra a guerra do Vietname. Todos de branco. Bicicletas brancas. Paz, amor e mta contestação à mistura. Foi lindo!
Atravessei a União Soviética ( Moscovo até ao Azerbaijão). Voltei desiludido. Comecei a perceber que o comunismo, tal como o idealizava, não existia.De repente, surgem rumores de que algo se passava em Paris. Meti-me no comboio e fui para lá. Não é possivel descrever o que se passava. Não havia dia nem noite. Estava sempre a acontecer a coisa mais importante do mundo.
Maio terá muitas interpretações mas, como o espaço que aqui tenho é curto, diria que foi uma imensa explosão de emoções.
Nada era controlado pelos partidos nem pelos sindicatos. O poder estabelecido estremeceu. Com todos os excessos, não deixou de ser um grito de liberdade, com efeitos contagiantes.
Depois, Praga é invadida pelos soviéticos. Praga era a única cidade, de todas as que tinha visitado do chamado Bloco de Leste, onde vi pessoas felizes.. Liquidaram tudo. O comunismo, tal como os soviéticos o concebiam e impunham, não passava de mais uma miserável forma de ditadura. Uma amiga que lá estava na altura, envia-me no dia seguinte à invasão um telegrama: "O socialismo acabou..."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"Riqueza revolucionária"---Alvin Toffler

A IP fez-me chegar o último livro de Alvin Toffler.
Passo a transcrever uma pequena parte, para continuarmos os nossos debates sobre a situação mundial da economia e consequências na vida social.

"Hoje os papeis tradicionais estão a mudar a grande velocidade em muitos países, sejam estes os papéis de marido/ mulher; professor/ alunos; patrôes/ empregados.
Tudo isto tem fortes implicações psicológicas e económicas.
Estas questões não se relacionam apenas com as funções e tarefas de uma pessoa, mas com as expectativas sociais que acarretam.
Dentro ou fora do emprego, cresce a ambiguidade, a incerteza, a complexidade e o conflito, já que os estatutos estão, continuamnete, a ser renegociados.
Os desafios são redefinidos a um nível nunca antes visto desde o advento da revolução industrial"

domingo, 4 de maio de 2008

Poema colectivo

Trocamos ideias sobre vários assuntos. Talvez possamos, agora, usar da nossa criatividade e construir um poema colectivo. Será o 1º poema dos "Dispersos"...

Vou dar o mote, escrever apenas um verso....
Vamos ver o que nasce ... :)

Mãe, há só uma!

Já aqui falámos de vários tipos de Amor. O que existe entre mães e filhos é talvez o único que ganha consenso: é incondicional e eterno!
Perdoem-me os pais, mas hoje é Dia da mãe, e se se sentirem retratados neste Amor, é porque, para muitos pais , é exactamente a mesma coisa!
Ser mãe não é fácil, ser filho tb não!
Mães e filhos nem sempre são parecidos, mas é nessas diferenças que se aprende a compreender "o outro". Um tão grande Amor a tal obriga!

Mãe é raíz!
De todas as incertezas do universo, há uma certeza que nos tranquiliza: fomos gerados no ventre de uma mulher!
Quando aparecemos neste mundo, foi através dos seus cuidados e amor, que pudemos confiar no desconhecido...
Foram os mimos e os ralhetes que nos ensinaram a encarar a vida...
Foi na nossa 1ª casa que começámos a criar asas para um dia podermos voar pelo mundo...
Pela vida fora, mãe passa a ser retaguarda. É bom ter as costas quentes...

O verdadeiro sentido desta palavra só é assimilado quando passamos a ser mães.
Pelas nossas crias, pelo seu bem-estar, somos capazes de fazer tudo que seja necessário, sem pedirmos nada em troca!

Faz tanto sentido aquela frase: "Quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada..."

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pensamentos à solta --- Agostinho da Silva

Deixo-vos aqui alguns "Pensamentos à solta" do nosso delicioso Agostinho da Silva ( in Textos e ensaios Filosóficos):

"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida, sou do paradoxo que a contém no total."

"Contradizer-me dá-me a segurança de que atingi a verdade possível."

"Acompanhando Gide, faço votos que a loucura me inspire e a razão me exprima."

"Passo a vida fabricando o real."

" Oxalá no que digo entremostre o silêncio"

"Sou especialista da curiosidade não especializada."

Somos realistas, exigimos o impossível! --- Maio de 68

Hoje de manhã, ouvi, na rádio, a notícia que o Maio de 68 foi precisamente há 40 anos!

As palavras de ordem desse acontecimento histórico chegaram a nós, alguns anos depois:

Il est interdti d´interdire!

Je suis marchiste tendence groucho! ( alusão a groucho marx, dos irmãos marx)

Une seule solution: AUTRE CHOSE!

Pela 1ª vez na história, e contradizendo o que marx tinha previsto aquando da revolução industrial, esta foi uma "revolução" que não foi encabeçada por operários. Foram jovens estudantes que, ao longo de dias, meses, saíram para as ruas exigindo "outra vida", outra forma de fazer politica, contestando aquilo que não conseguiam mais suportar. O movimento teve repercussões mundiais ( nos EUA foram tb jovens que se revoltaram contra a guerra do Vietname, impedindo de circular os comboios que transportavam soldados)

Em Portugal, 6 anos depois, o espírito do Maio de 68 foi vivido por alguns adolescentes ; outros aderiram a militâncias partidárias que, no nosso país, tb eram uma novidade.

Como seria a vida no ocidente se não tivesse havido um Maio de 68? Provavelmente mais cinzenta. Afinal, ao contrário do que Marx previra, tb se fazem "revoluções de ideias"!

Do 25 de Abril português se escreveu na época: "A poesia está na rua!"
Em Paris, em 68, dizia-se "A filosofia está na rua!"

quinta-feira, 1 de maio de 2008

As novas práticas filosóficas

As novas práticas filosóficas

“A filosofia não é uma actividade supérflua ou reservada a uma elite, sendo pelo contrário essencial à vida. A emergência de numerosas práticas nos últimos anos, tais como a filosofia para crianças, os cafés filosóficos, os ateliers de filosofia em bibliotecas ou livrarias, o aconselhamento filosófico, os sucessos editoriais filosóficos para o grande público, são algumas das provas da vivacidade renovada desta disciplina.”
(Colóquio da UNESCO - Paris, Novembro de 2006)

Com efeito, desde há mais de três décadas que surgiram numerosas tentativas de trazer a filosofia ao grande público, encarando-a não como uma mera transmissão de ideias de filósofos, mas como uma prática de desenvolvimento do pensamento e da capacidade de julgar. Nesta perspectiva, a filosofia é vista como uma actividade com uma dimensão educativa transversal, como um espaço de discussão e de elaboração de um pensamento autónomo, crítico e criativo. Uma tal abordagem visa atingir um público muito alargado, não se limitando a um sector académico restrito a quem a filosofia tradicionalmente se destinava.
Um dos pioneiros deste movimento inovador foi Matthew Lipman, um filósofo americano contemporâneo, que em 1969 iniciou o seu trabalho com crianças, tendo criado um programa, hoje conhecido e praticado em todo o mundo – Filosofia para Crianças. Este método pode ser utilizado com grupos de pessoas de todas as idades.
Entretanto, outros autores têm vindo a desenvolver a vertente prática e aplicada da filosofia. Na década de 80 surge na Alemanha, com Gerd Achenbach, o chamado Aconselhamento Filosófico, que considera o diálogo o seu instrumento fundamental e que atingiu a sua maior expansão a nível mundial na década de 90.
É importante esclarecer que o aconselhamento filosófico não é uma técnica terapêutica, mas um processo complementar, uma tentativa de ajudar “pessoas normais a resolver problemas normais”, ou seja, é uma forma de criar um espaço livre onde as pessoas usam a filosofia para desenvolver os seus próprios pensamentos em temas do seu interesse, ou seja, uma “terapia para saudáveis”.
Ainda na década de 90, popularizam-se em França os Cafés Filosóficos e alarga-se a prática filosófica, ligada quer à Filosofia para Crianças quer ao Aconselhamento Filosófico, a nível individual e a nível de grupo.
Também em meados dos anos 90, a obra “O mundo de Sofia”, do norueguês Jostein Gaarder, contribuíu grandemente para divulgar a história da filosofia ocidental, tornando-a acessível a um público muito diferenciado. Seguem-se entretanto numerosas obras de divulgação com o objectivo de trazer a filosofia para o nível do quotidiano, tornando-a um instrumento útil para a compreensão da realidade.
Mas foi Louis Marinoff, que ao escrever em 1999 “Mais Platão, menos Prozac”, traz a filosofia definitivamente para o domínio do grande público.
Como ele a certa altura da sua obra nos diz, há pessoas que apenas precisam “de diálogo, não de diagnósticos (...). A verdade é que a filosofia está ao alcance da maioria das pessoas. A pesquisa filosófica nem sequer exige um filósofo diplomado ou com habilitação cerificada, só exige que as questões sejam abordadas em termos filosóficos”.
Assim a filosofia possa contribuir para o melhoramento da nossa vida, porque infelizmente, como nos diz Matthew Lipman, “a filosofia chega a poucas pessoas e mesmo a essas tarde demais”.


Este texto foi-me enviado pela professora de filosofia, Luísa Abreu, a meu pedido e para esclarecimento dos comentadores do "dispersões" :)
Obrigada, Luísa!