As músicas despertam-nos emoções! As músicas de Abril não se esquecem! Há uma, escrita durante a ditadura, que passou a ser cantada por todos, depois da festa de 74: A Pedra filosofal.
Acabei de a ouvir, e, como de todas as vezes que a oiço, sinto-me arrepiada...
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer
Como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos
Como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul
......................................
O homem que escreveu isto, de pseudónimo António Gedeão, era Rómulo de Carvalho, prof de fisico-química e poeta...
É tão bonito este poema, não acham?
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7 comentários:
A Pedra Filosofal, é dos poemas mais bonitos que conheço.
Comecei a cantarolá-lo com vinte e tal anos, e de tal maneira me senti enfeitiçado pela correria do seu dizer, rodando sobre mim próprio, que, quando o digo, de tanto rodopio, se ausentam por momentos as razões, e se cria, de entre todas as alquimias, a mais importante: o nascimento do sonho.
Ainda hoje sei o poema de uma ponta a outra, não pelo constante hábito de o dizer, mas porque o aprendi gravando-o no mais fundo de mim.
Entendo perfeitamente as tuas palavras. Conseguiste exprimir o que eu tb sinto :)
Sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança
Ai, o que eu mais desejo é nunca perder a capacidade de sonhar....como uma criança :)
Não me levem a mal, mas empre preferi este, mais curto, mais de acordo com o meu sentir, e sentimento:
Livre
versos: Carlos de Oliveira
música: Manuel Freire
Não há machado que corte
A raíz ao pensamento
Não há morte para o vento
Não há morte
Se ao morrer o coração
Morresse a luz que lhe é querida
Sem razão seria a vida
Sem razão
Nada apaga a luz que vive
No amor num pensamento
Porque é livre como o vento
Porque é livre
E ... cá dentro há outros sons, e outros dialectos, Há o batuque (coisas de Mutarara, pá, um gajo em puto arrepiava-se, de ver, ouvir e a dançar aquilo), de atitude bélicas e agressivas, em que se diziam jocosas palavras à frente dos grandes governantes que, de sorriso parvo, não percebiam nada.
Acredito que a terra e o mato em que crescemos nos marca, com um ferro comum, nos trata como se fossemos um, e se ri da raça ou do estatuto. Vocês, isto, não entendem, porque o vosso algoritmo mental não tem a informação para recriar imagens, memórias e emoções dos cheiros, dos espaços, dos suores, dos sofrimentos e do calor. Nascer e crescer na África daquele tempo não é coisa que se traga domesticada.
Como vêm, houve outros cantares e 25s de Abris. De outras poesias.
Muitas mais poesias.
Também me lembro mto bem desse poema, e qdo te comecei a ler, comecei a cantá-lo :)
Mas a Pedra Filosofal....hmmm, é tudo num poema: as pedras e a filosofia :)
Pois, penso que mais ninguém neste blog tem memórias de África como tu tens. Imagino que essas vivências de que falas devem penetrar bem fundo...
Às vezes conheço, no trabalho, pessoas que cresceram lá e interrogo-me como se conseguiram habituar a esta "pequenez", e espanta-me que raramente falem das suas memórias nesse continente...
Hello!!!
Vim visitar-vos, directamente das caldas da rainha.
A pedra filosofal livre é realmente muito bonita.
Este ano vivi mais o 25 de abril do que nos últimos 10 anos. Não faço ideia porquê, mas fartámo-nos de reviver aventuras dessa época.
É bom relembrá-las, cada um viveu aquilo à sua maneira.
Que engraçado Zib, como também ainda te voa aí dentro.
O sonho é uma constante da vida, que não há machado que corte.
Beijos caldenses
Apoiado!! "o sonho é uma constante da vida que não há machado que corte" :)
Tb pensei na zib a recordar sozinha as emoções desse dia. Às vezes deve se difícil ser emigrante ...
Lindo!!
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